ASD – Perturbações do Espectro do Autismo. Mais importante que o relato da prova, como foi ou como correu, quero desta vez dar ênfase à causa que escolhi levar nesta prova. Correndo o grave perigo de estar completamente equivocado, e se estiver peço que me corrijam, gostaria de dar a minha opinião como cidadão, amigo e pai. Quando era mais pequeno ouvia a sociedade a falar de meninos deficientes, e realmente em adulto conheci alguns “deficientes” mas esses não tem nenhum problema de saúde. Como não nascemos ensinados, e só aprendemos se quisermos, eu de nada sabia sobre as perturbações do espectro do Autismo. Ainda pouco sei, estou sempre a aprender. Mas do pouco que sei, em especial com as crianças, sabemos que são meninos e meninas amorosos, que amam, vivem, são alegres, comunicam, interagem como os outros meninos e meninas. É importante construirmos um futuro melhor para eles e para os nosso filhos, uma sociedade mais justa e que saiba incluir estes futuros adultos. Por isso peço-vos que hoje em casa, falem com os vossos filhos, expliquem-lhes que existem meninos e meninas que tem alguns transtornos mas que os devemos tratar com qualquer outra criança. Estamos a preparar um futuro melhor e mais justo para eles. Obrigado a todos pelo apoio, foi um dia maravilhoso e mais uma vez consegui superar as minhas próprias expectativas.
É difícil traduzir em palavras o turbilhão de emoções que vivi durante a ultima semana, desde a beleza esmagadora dos fiordes Noruegueses, à oportunidade de estar lado a lado com alguns dos atletas mais conceituados nesta variante do Triatlo, passando pela impressionante onda de apoio que se gerou a partir das redes sociais, sites da especialidade e da comunicação social local, terminando com a participação nesta competição extrema integrado xxxxxxxx os que me levou a ultrapassar limites que ainda à pouco julgava intangíveis! Sinto que sem contar, despertei o apoio e a paixão de muitos por este projecto, sendo literalmente empurrado até à meta pelo imenso carinho e entusiasmo, não me restava alternativa senão lutar com alma lusitana para corresponder as expectativas dos que tanto me deram sem pedir nada em troca … ao avançar para meta, o outro atleta português presente, Vasco Chuva, que após ter terminado me esperava juntamente com as duas equipas de apoio, fez-me chegar uma bandeira Portuguesa que levantei bem alto ao passar a meta, num gesto que representou todos aqueles que com um “like”, um “força Paulo”, ou simplesmente “grande maluco”, nadaram, pedalaram e correram ao meu lado!
Foi por muito, muito tempo que não consegui alcançar o objectivo a que me propus no início desta jornada, mas deixem-me confessar-vos que me sinto muito orgulhoso e imensamente feliz … talvez por sentir que o fiz em nome de tantos, esteja mais feliz do que nunca!
Orgulhoso pelos meus parceiros de jornada, que foram uns valentes, sempre inspiradores, batalhadores, munidos de todos os truques e ferramentas que nunca deixaram baixar a moral, até mesmo a meio da prova quando as longas esperas, o cansaço e acima de tudo a incerteza, os ameaçava vencer, eles lutaram comigo em cada subida, debaixo de chuva e vento, com palavras de incentivo e cartazes bem humorados, arrancando-me rasgados sorrisos e boas gargalhadas …. Estou muito orgulhoso Francisco Carvalho e Nuno Amaral Bastos, muito orgulhoso!
Orgulhoso dos apoios conseguidos para esta aventura, foram amigos que viveram literalmente o meu sonho, partilharam emoções e fundamentalmente criaram todas as condições para poder viver esta jornada única, aos quais por muito que agradeça, sinto que nunca será suficiente! Muito obrigado uma vez mais!
Orgulhoso pelas barreiras que derrubei ao longo deste ano, ultrapassando os medos e fobias, elevando a fasquia, abraçando desafios ainda maiores, é um método arriscado e perigoso. Terminar uma ultramaratona completamente sozinho, sem qualquer apoio, depois de ser forçado a treinar num ambiente adverso e hostil, seria de todo impossível o ano passado. Saltar de um barco para as águas geladas de um fiorde, ainda noite escura, onde tive que permanecer bem mais de uma hora, nem sequer o tinha imaginado em toda a minha vida. Completar 180 Km de bicicleta, num traçado técnico e sinuoso, cheio de ratoeiras, com desnível acumulado de 3500 metros, sob condições climatéricas extremas, com chuva intensa, fortíssimas rajadas de vento, que ainda acentuava mais as baixas temperaturas, é algo que nos leva a questionar algumas vezes o que estamos ali a fazer, é verdadeiramente algo que à algum tempo atrás eu próprio diria ser de loucos! Correr os míticos 42 Km da maratona, com os últimos 17 Km a subir, entre os quais um troço de 7 Km conhecido por Zombie Hill, a colina dos zombies, onde somos levados a enfrentar uma subida com uns constantes 10% de inclinação, sem zonas de recuperação, que colocam a nu as minhas fragilidades físicas e até psicológicas, pois objectivamente detesto subir, algo além do simples desconforto … O homem que perante a febre do trail, afirmava perentoriamente, maratonas só planas, nem pensar!
Pois foram todas estas coisas que eu achava “impossíveis” há muito pouco tempo, estes desafios extremos, que foram gradualmente conquistados ao longo deste ano, passo a passo, treino a treino, aumentando cargas, sacrificando muito a minha vida social e familiar, mas movido pela ambição de derrubar barreiras, de fazer melhor e ir sempre mais longe!
Sobre a prova em si, aproveito para reiterar algo que já antevia na preparação da mesma, o Norseman não é uma prova a solo, do homem e dos seus limites, é um esforço colectivo de uma equipa forte e coesa que se apoia durante este longo dia, e quando falo em apoio, não falo apenas do incentivo e da companhia, é uma prova em linha, em que o apoio da organização se resume à marcação do trajecto e ao registo dos tempos, toda a operação logística fica a cargo da equipa de apoio, que juntamente com atleta planeiam milimétricamente o plano de nutrição, os pontos de apoio, o equipamento necessário, numa operação exigente e detalhada, em que a mais pequena falha pode deitar por terra todos os sonhos! O segmento de natação veio confirmar os bons sentimentos que vinha a ter na agua, acima de tudo pela qualidade do treino, sendo claramente aquele onde estive mais confortável e onde o desempenho veio de encontro as minhas melhores expectativas, pese temer o efeito que o choque térmico podia ter em mim, no entanto, a adaptação ao meio foi feita com relativa facilidade. Já o ciclismo foi aquele que pior correu, paguei claramente o período de 8 meses parado, somente 2 meses de preparação não é suficiente para fazer esta prova, o que num trajecto tão selectivo se paga bem caro, foi duro, mesmo muito duro. As subidas e declives por si só metiam respeito, mas a chuva, frio e relâmpagos tornaram este segmento num calvário, foi um percurso arrancado a ferros, em que só o sonho de terminar me levou a aceitar tantas provações. Por ultimo a corrida também correu dentro do esperado, fazer uma ultra-maratona na primavera (comrades), deu-me preparação e acima de tudo a experiência para ultrapassar este enorme grau de dificuldade, mas sinceramente nunca pensei que a “zombie hill” fosse tão dura, foi aquele momento em que o atleta “está nas cordas” encontra forças sem saber bem onde consegue reagir e voltar ao combate… OBRIGADO Nuno e Chico, foram vocês que literalmente me levaram lá cima!
Foram momentos únicos, nem os meus sonhos mais ousados me permitiriam imaginar o que vivemos estes dias. A beleza das paisagens, a companheirismo, o desafio, a dureza, a equipa, a satisfação, a emoção, foi simplesmente incrível!
Por isso estou feliz, imensamente feliz, tenho dificuldade em traduzir em palavras aquilo que sinto, um MUITO OBRIGADO a todos que seguiram a prova e apoiaram este pequeno momento de alucinação, foi absolutamente maravilhoso! Foram mais de 17 horas a perseguir um sonho, onde nunca me senti sozinho ou desamparado, para poder integrar o grupo de 241 atletas vindos dos 4 cantos do mundo que se juntaram na manhã de domingo para receber a par de um afectuoso “Congratulations, you are a Norseman”, uma valiosíssima t-shirt que irei guardar religiosamente e que um dia mostrarei com orgulho aos meus filhos!
Ultra Maratona em África do Sul – Muito mais que uma corrida…
Uma medalha, dois litros de soro e uma manta térmica…
É justo começar esta cronica com as expectativas que tinha para a prova – Comrades Marathon. Durante os últimos 2 meses em angola a qualidade dos treinos não foi a melhor, mas sabia que tinha feito kms suficientes para terminar a prova com algum sofrimento. Esperava cãibras e dores musculares por volta dos kms 70-80 mas com tempo suficiente para andar e correr devagar e assim terminar bem. Nada me preparou para o que ia acontecer.
Este prova realmente começou no Sábado anterior, sabendo que no domingo tinha que me preparar cedo vi que com o stress a ansiedade da prova era difícil descansar essa noite. Assim sábado de manha fui- me registar e ver a exposição, almoço perto do mar seguido de passeio de autocarro pela cidade para não me cansar muito. Final da tarde dormir um bocado, jantar por volta das 19, e depois hotel para ver televisão até á hora prevista.
Eram 1.30 quando me comecei a preparar, e depois do pequeno almoço sai do hotel eram 2.30 e caminhei 3 kms até á zona de partida do autocarro, por isso fiz mais de 90 kms nesse dia 🙂 Estava frio, levei uma camisola e uma manta que pedi no avião. O autocarro partiu sem problemas e chegamos perto das 4 horas a Pietermaritzburg. Ainda estava tudo deserto, tomei um café dado pela organização e sentei-me numa porta de uma igreja perto da minha gate de partida a ver o ambiente com o cobertor por cima, estava bastante frio.
Cerca das 5 horas ainda noite cerrada, foi pela ultima vez a casa de banho e encaminhei-me para a minha gate. começaram a juntar os participantes, com música para animar a malta, era tempo de acordar o corpo e começar a falar com os participantes. Os dorsais da comrades tem o teu nome, número de vezes que fizeste a corrida, várias cores dependendo se fores internacional, ou se fizeste mais de 10 vezes ou se já fizeste a subida, etc. assim torna a comunicação mais fácil. Falei com pessoas com mais de 20 corridas já feitas, o máximo que vi foi 47 vezes !!!
Cerca de 10 min do inicio começou o hino da África do Sul, claro de arrepiar o momento, foi para isto que treinei vários meses e fiz tantos sacrifícios, ia ser um dia longo mas eu estava preparado. Foi ao som de “charions of fire” e com um canhão que se deu a partida para a prova. Demorei cerca de 5 minutos a cruzar a meta e aquelas 18 mil pessoas estavam com a adrenalina no máximo, lembro-me de começar a correr a 5.30 pois não podia ir mais devagar, todos iam assim e não conseguia abrandar.
A corrida ia compacta, na primeira subida tentei manter o ritmo e correr, mas mais de metade das pessoas já começavam a andar e era difícil desviar-me. Na segunda subida desisti e fiz como a maioria das pessoas, andar nas subidas. Estava ainda frio e passado o km 10 ainda não tinha tirado a camisola. , foi só cerca do km 17 que começou a surgir o sol e tive coragem para largar a camisola num abastecimento. Era incrível o número de pessoas aquela hora na estrada a apoiar os atletas.
A prova estava a correr bem, as pernas iam soltas, mantinha o ritmo planeado de 6.30 o km e a temperatura estava agradável.
Foi após o km 22, lembro-me de dizer que meia maratona já estav feita, que comecei a sentir uma dor forte no baixo abdômen nos dois lados. Primeiro pensamento foi são os rins, alguma coisa não está bem. Tentei urinar mas não saiu quase nada e já tinha cerca de 8 paragens para beber, pois embora sem calor, tenho o hábito de beber sempre.
Continuei a corrida e tentei abstrair-me da dor que justifiquei como dor muscular, talvez eu não tivesse feito abdominais suficientes e a dor durante a prova ia de certeza passar, não tive tantos meses a treinar para desistir tão cedo. Deixa ver como corre.
Era incrível o ambiente da prova, nunca ia sozinho, eram pessoas mascaradas, eram velhotes com mais de 70 anos a tentar correr, imensos personagens distintos que tentavam de alguma forma deixar a sua marca na prova. Imensas pessoas falavam comigo por eu ser de Portugal, Ronaldo, fado, comida, etc, era impossível sentir-se sozinho nesta prova.
Os abastecimentos eram incríveis, a cada 3 kms existiam uma estrutura montada por uma instituição de solidariedade ou pelos patrocinadores sempre com esta sequência: agua sempre fresca, banana e laranja, coca cola e sumos, bolachas e barras energéticas e no fim outra vez agua. Nunca nos preocupávamos porque sabíamos que tínhamos sempre mais á frente o que queríamos. Além disso existiam milhares de pessoas no caminho a oferecer agua e comida portanto era impossível existir mais apoio na prova.
Finalmente cheguei a meio da prova, uma maratona já estava feita, a dor persistia e não havia meio de desaparecer. Aqui começaram as maiores subidas e fui completamente abaixo anímicamente. Nunca parei e foi então que conheci o Norman, um Sr. de 64 anos que estava a fazer a sua 7 corrida e que numa subida puxou por mim e disse ” anda Paulo, vamos devagar, o segredo é correr devagar e andar, vamos até aquela árvore e depois paramos”. E foi assim que consegui reanimar e voltar á prova. Claro que eu nunca ia desistir, mas ver aquela homem a sacrificar-se e a puxar por mim deu aquela motivação extra e comecei a tentar correr nas subidas devagar. Sabia que se andasse em todas as subidas não conseguia terminar a prova a tempo, tinha que correr um bocadinho.
Entre correr nas descidas e andar nas subidas ou correr devagar, chegamos ao km 70. Aqui comecei a sentir-me melhor, a dor no abdômen desapareceu, e o Norman estava bastante cansado e quando começamos a descer eu mantive um ritmo melhor e comecei a acelerar um bocadinho, estava bem, não ia acabar antes das 10 horas mas perto disso. Mas sempre a correr nas descidas e a andar nas subidas.
Ao km 75 comecei a sentir a famosa dor de burro, senti que tinha que abrandar um bocado para conseguir correr, mas não podia abrandar muito pois começavam a aparecer as minhas amigas cãibras. Ou seja era um ritmo muito delicado, entre dor de burro e cãibras nos gêmeos. Foi assim até ao km 86 entre algumas subidas e muitas descidas.
Aqui já sabia que ia terminar a prova, tinha 1h30 minutos para fazer 4 kms. Foi então que conheci um sul africano Ian, íamos a andar e foi então que me disse ” Paulo parabéns vais terminar, só precisa de andar até á meta, para o ano tens que vir fazer a subida”. Eu disse que ele estava louco que talvez daqui a muitos anos quando esta recordação estivesse longe. Mas depois pensei comigo, tu não vieste aqui aqui para acabar a prova, tu vieste aqui para fazer o teu melhor, olha toca a correr a ver se acabamos antes das 11 horas. E foi então que cheio de motivação comecei a correr devagar, o que durou 1 km pois o meu corpo já não aguentava mais.
Foi aqui que comecei a sentirem tonto e enjoado, estava de tal forma cansado que andei de olhos fechados para ver se descansava alguma coisa, o corpo estava fazer Shutdown.
Os últimos 2 kms foram um suplício, uma recta enorme na cidade com milhares de pessoas a gritar o teu nome e tu sem força para sequer acenar. Agora percebia a estatística que dizia que a maior parte das desistências são nos últimos 3 kms.
Pé á frente dizia eu, outro pé, agora outro, era assim que me motivava para ir até ao fim.
Foi com muita tristeza que entrei no estádio para os últimos 400 metros, o estádio estava cheio, milhares de pessoas a gritarem o teu nome e tu sem conseguir correr. Tentei, juro fui buscar forças não sei onde e comecei a correr…10 metros e parei, se queria cruzar a meta tinha que parar.
Como o meu amigo Nuno Caetano me disse “mesmo que estejas todo lixado, na meta levanta bem a cabeça e os braços, és um campeão” e foi assim que terminei a comrades…
Recebi a medalha e pedi logo auxílio medico. Levaram-me para a tenda médica onde foi muito bem tratado e tive a minha recompensa por 11h14 minutos de luta interior, dois litros de soro e uma manta térmica por causa da hipodérmica. Diagnóstico: desidratação e falta de juízo.
Ao meu lado estava um atleta que falhou a meta por 100 metros, outro que conseguiu por 2 minutos…
Paulo Rua from Portugal “You are a Ironman” – Um sonho tornado realidade
Paulo Rua from Portugal “You are a Ironman”
São 4 da manha em Cozumel e escusado
dizer que me é impossível dormir, quer pelas dores nas pernas, emoções ou pelos
géis, barrigas, coca cola, bebidas e energéticas que coloquei ao longo destas
13h22min de prova no organismo. Aquelas sonhadas e eternas palavras ainda ecoam
na minha cabeça, quando ao entrar na meta o speaker da prova anunciou: Paulo
Rua from Portugal, YOU ARE AN IRONMAN!!!
Claro no final as emoções e as lagrimas
escorriam-me pela cara e foi com essas lagrimas que dei um abraço Muito Forte
aquela pessoa que é responsável por parte deste sonho e esteve 2 anos ao meu
lado a apoiar um sonho que era meu, a minha namorada Cláudia, uma Ironwoman com
certeza :):)
Comecemos pelo inicio, no dia da prova é
escusado explicar que não foi possível dormir nada, levantei-me as 4 da manha,
tudo já estava preparado e fomos tomar o pequeno almoço reforçado. Apanhamos o
autocarro para o parque chakranab onde iniciou a natação, e depois de colocar a
agua na bicicleta, e fazer os últimos preparativos, as 6 da manha já andava de
um lado para o outro com ansiedade. As 6h30min os prós entraram na agua, ao
mesmo tempo que esperavam os 2600 amadores cá fora com as endrofinas nos
limites. Fomos agraciados com um show de golfinhos, mesmo ao lado de onde íamos
nadar, lindo, deu para libertar um bocadinho a atenção da prova, finalmente
mergulhamos nas aguas azuis turquesas e os 2600 malucos preparavam-se para a partida.
O mar esta picado e a corrente fazia-se sentir com alguma intensidade. O
primeiro km foi para esquecer, muita porrada, luta dentro agua, e nadar quase
sempre com a cabeça de fora de agua. Imaginem estas pessoas todas comprimidas
em 100 metros !!!
Ao passar a primeira bóia aliviou um
bocado, também me afastei da linha e perdi um bocadinho a direcção. Foram 2 kms
a favor da corrente, com alguns murros pelo caminho mas mais tranquilos. Lembro
de ver os peixes no fundo e fazer sinal aos mergulhadores que tiravam
fotografias, incrível nadar naquele mar…. Quando se dobrou a 2 bóia, ficamos
contra a corrente novamente, e aí foi o deus nos acudam…nadávamos, nadávamos
e nao saiamos do sítio. Fui com muito custo que finalmente sai mas tive que
aplicar mais força e potencial. Disseram-me que 200 atletas desistiram na
agua..nao foi fácil.
Devagar sai e peguei no saco e dirigi-me
á tenda de mudança de roupa. Com calma sentei-me e havia imensos voluntários a
ajudar. Depois de comer uns géis e beber bastante agua por causa da agua
salgada de ingeri, coloquei as benditas meias de compressão, protector solar,
óculos, capacete, sapatilhas de bike e mudei para o fato de duas peças, era
mais pratico como se viu mais a frente. Sai, peguei na bike sai para a rua. Impressionante
o mar de gente que nos apoiava na saída da bicicleta. Comecei a pedalar
devagar, beber muita agua e comer o que apanhava, o percurso de bicicleta foi o
que mais me impressionou!! Primeiro á saída do parque começávamos a
passar pelos resorts, eles fizeram umas bancadas na rua e com música, apoiavam
os atletas ao passar…fantástico ambiente, nao dava para desanimar…depois
vinha o pior, na ponta mais Sul da ilha onde terminavam os resorts começava o
vento forte de frente…como pedalávamos ao lado do mar, e que vista FABULOSA,
estávamos muito expostos, de uma media de 35 kms por hora passávamos ali para
24 kms/h Muito duro durante cerca de 20 kms…Agora a paisagem era de sonho…
Paisagem de sonho…
Finalmente a meio da ilha viramos á
esquerda e entramos numa recta ENORME que nos ia levar ao centro…aí sim, era
paladar e puxar o mais possível…os últimos kms antes de chegar ao centro era
cheio de povo a aplaudir e a gritar “SI TU PUEDES” o lema do Ironman
em Espanhol…era ver meninos pequenos a gritar cheios de força…Emocionante a
chegada ao centro com milhares de pessoas a puxar por ti, “Vamos
Paulo!!” depois de passar o centro, voltávamos a passar os resorts e com
vento pelas costas, era uma delicia e atingíamos velocidades de 40 kms/h… Na
primeira volta senti-me muito bem, sem nenhum problemas físico, na segunda
volta acabou-me a comida e o pior foi que nos reforços também nao havia nada,
estava a meter uma barriga ou gel cada 30 min….fiquei preocupado e abrandei o
ritmo… Finalmente passadas 3 estacões de reabastecimento encontrei
géis….meti logo 2, guardei mais 2 e arranquei a toda a velocidade…lembro de
pensar ” vamos lá agora nao há desculpa, toca a dar tudo, tu és amigo do
pedal, não amigo da corrida, tens que mostrar aqui o que vales” comecei a
passar atletas com uma motivação extra!!! Aqui já nao tinha posição na bike,
doía-me o braço esquerdo e por baixo dos pés, tenho que mudar as palmilhas dos
sapatos. Um truque bom era para 30 segundos para aliviar a bexiga, depois já
nao doía nada e arrancavas outra vez cheio de gás…
A partir do final da 3 volta custou um
bocado, em especial a zona com vento, mas nada que não tenha passado antes,
assim que quando entrei na cidade foi uma emoção muito grande…aqui sim senti
que a prova podia ser terminada e foi com lagrimas nos olhos que entrei no
parque de transição da corrida. O ritual recomeçou, calcar as sapatilhas de
corrida, colocar vaselina debaixo dos braços r protector solar e sair com toda
a garra para a corrida…Um mar de gente esperava-nos e as lagrimas tronaram-se
sorrisos e alegria ao ver aquelas pessoas todas a puxar por ti “SI TU
PUEDES, SI TU PUEDES..” Over and over and over…aquela frase vai ficar na
minha cabeça durante muito tempo.
“Si tu puedes, si tu puedes”
Eram voltas de 14 kms, a primeira foi
para encontrar o ritmo e comer bastante, barrigas, géis e bastante agua pois
ainda estava calor. Fiz o retorno aos 7 kms com a sensação que isto ia ser
duro….tentei nunca parar para não perder o ritmo. O percurso era muito bom,
montaram musica ao vivo, os hoteis no centro estavam cheios de pessoas a puxar
pelos atletas e com imensos cartazes, um que me ficou na memoria foi ” run
like her husban is chasing you” Na segunda volta tive que parar algumas
vezes para aliviar a bexiga, estava a fazer retenção de líquidos e sentia sempre
a bexiga a pressionar para baixo, sempre cheia. A meio da segunda volta deu-me
um dor forte no lado direito logo a seguir de ter tomado um gel, pensei que era
uma descarga de insulina e esforço a mais do pâncreas e parei com os
géis…descobri os salgados e passei a comer pretzels com pepsi. A passada era
cada vez menor, custava mais e cada vez que andava mais custava a iniciar a
corrida…
A entrada da 3 volta estava arruinado, foram os 14 kms mais duros da minha
vida..inventei mil desculpas para continuar a correr ” vá bandeirinha nao
para”, ” Si tu pudes, si tu PUEDES”, ” agora corres só até
ao próximo abastecimento, comes uns pretzels andas um bocado e corres até ao
outro” Milhares de artimanhas passaram pela minha cabeça para não
parar…finalmente entras na cidade e vês a placa a dizer 40 kms…..esta
feito, o publico começa a puxar por ti, deixaste emocionar e já não sentes as
dores nos joelhos nem nos pés, pareces voar, voas em cada grito, levantas os
braços, as lagrimas aparecem, fazes sinal as pessoas como já está, eu
consigo….entras na ultima recta e ouves as palavras magicas que NUNCA na vida
vais esquecer….” Paulo Rua from Portugal, You are an Ironman” E sou
de Famalicão, dos amigos e do pedal e da bandeirinha….